07/02/2025![]() O novo líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Tenente-Coronel Zucco (PL-RS), protocolou na quarta-feira (5), junto com outros parlamentares da oposição, pedidos de informação sobre as atividades da primeira-dama Janja da Silva, apelidados de “Pacote Anti-Janja". O grupo questiona sobre a equipe de assessores e a condição funcional de Janja no Palácio do Planalto, seus gastos com passagens e diárias no exterior e a legalidade de representar o Brasil em eventos em substituição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). São cinco requerimentos, que foram encaminhados aos ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil e à Controladoria-Geral da União (CGU). “Se Janja não exerce qualquer função pública prevista pela Lei nº 8.112/1.990, nem foi diplomada para investidura em qualquer cargo eletivo, não há fundamento jurídico para que esteja representando o Brasil na ausência do Presidente da República, nem do Vice-Presidente da República, nem de eventual Embaixador do Brasil, nem de qualquer outra autoridade pública de qualquer nível hierárquico, com ou sem cargo em comissão”, justifica um dos documentos. Os parlamentares apontam também “os sérios desconfortos sobre os gastos sem transparência e nem controle” da primeira-dama. A oposição cita reportagem que calcula que o “Gabinete de Janja”, órgão que “não existe oficialmente como uma estrutura do governo”, custa cerca de 2 milhões de reais por ano, considerando os dados de 2.023 e 2.024. Polêmicas envolvendo a primeira-dama Nesta semana, a primeira-dama, Janja da Silva, começou a divulgar sua agenda de compromissos oficiais, após cobranças por mais transparência acerca dos eventos com sua participação. Entre os anúncios, ela avisou que vai viajar pelo país ao lado de ministros e do presidente Lula para acompanhar a execução de políticas públicas, além de representações internacionais em nome do governo, o que gerou incômodo até mesmo entre integrantes do primeiro escalão. Além disso, as crises recentes envolvem a manutenção de um gabinete informal no Palácio do Planalto, a então falta de transparência em suas agendas e declarações públicas que geram desconforto dentro do governo. Após as cobranças por maior transparência nas atividades relacionadas à primeira-dama, nos últimos dias, Janja passou a divulgar uma agenda oficial diariamente em seu perfil do Instagram, mesmo quando não tem compromissos públicos. Formalmente, não existe o “cargo” de primeira-dama, o que a desobriga de divulgar compromissos públicos. Mas tem sido cobrada devido ao volume de reuniões e eventos do governo aos quais comparece. Problemas na Justiça Janja também enfrenta uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que pede o despejo de um gabinete instalado pela primeira-dama no Palácio do Planalto e a exoneração dos servidores que trabalham para ela. Apresentada pelo vereador de Curitiba, Guilherme Kilter (Novo), a ação popular cita uma reportagem do Estado de S. Paulo para justificar o pedido. Na publicação, é revelado que Janja gastou R$ 1,2 milhão em dinheiro público com viagens após o início do governo Lula. Além do despejo e da exoneração dos funcionários, Kilter pede a proibição do uso de recursos públicos para despesas relacionadas à equipe. Controvérsias em viagens internacionais Pelo menos dois episódios no exterior também ajudaram a desgastar a imagem da primeira-dama. Em setembro de 2.023, ao pousar na Índia ao lado de Lula para a Cúpula do G20, Janja publicou um vídeo dançando e dizendo: "Namastê! Olá, Índia. Boa noite! Me segura que eu já vou sair dançando". A publicação foi feita em um momento em que o Rio Grande do Sul sofria com um ciclone extratropical, que provocou 50 mortes e atingiu mais de 50 municípios gaúchos. Já em novembro de 2.024, durante um discurso no G20 Social, no Rio de Janeiro, Janja xingou, em inglês, o bilionário Elon Musk, dono da rede social X, o antigo Twitter: “Eu não tenho medo de você, inclusive... f*ck, you Elon Musk!”. O episódio foi agravado pelo fato de que o empresário estava prestes a assumir um cargo no governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Depois, no mesmo evento, Lula demonstrou descontentamento com a atitude dela e tentou colocar panos quentes sobre a história: “Esta é uma campanha que a gente não tem que ofender ninguém, não temos que xingar ninguém”, disse. Redação com o tempo / Imagem: Reprodução Agência Brasil |